XK Traverse 2013- MENZOZA

A Equipe mineira Brou Aventuras Kailash partiu na última semana rumo à Cordilheira dos Andes na levando um sonho na bagagem: conquistar pela 1ª vez uma Corrida de Aventura em terras internacionais.
Participar de uma Corrida de Aventura fora do Brasil é uma jornada quase infinita: levar todo o equipamento em mochilas e malas bike de casa para o aeroporto, chorar com a atendente da companhia aérea para não pagar excesso de bagagem, chegar em Buenos Aires e ter que trocar de aeroporto com toda a tralha, chegar em Mendoza, dormir num albergue bem mais ou menos, depois pegar um ônibus até Malargue (6h de viagem) e finalmente uma carona da organização até o pequeno povoado de Los Molles, local da largada da prova! Inúmeras horas, alguns pequenos momentos de stress e estávamos lá! Agora era colocar tudo em ordem e preparar pra largada.
Os mineiros contavam nesta prova com uma formação que permitia sonhar com a vitória: Zé Elias e Thiago Brou convidaram o Dino (Alexandre Teles) e a Marianinha para completarem o Quarteto Mixto que pela 2ª vez consecutiva iam tentar a sorte em terras portenhas na tradicional prova XK Traverse, de 300 km em plena Cordilheira dos Andes! A expectativa da equipe antes da prova era tanto pelos desafios a serem encarados como pelas paisagens deslumbrantes que os esperavam.
No sábado a largada seria de Mountain Bike no famoso centro de Ski Las Lenas, um dos principais da Argentina. Como na bike todo mundo já sabe que para a Brou Aventuras não tem fingimento, mesmo para começar com uma subida de 13km até 3300 m de altitude, na 1ª transição os brasileiros chegaram no 1º pelotão, dividindo a 1ª posição com equipes masculinas.
Um trekking de alta montanha era a próxima modalidade, atingindo quase 4000m. Além da carência de oxigênio nesta altitude, as paisagens alucinantes contribuiam para tirar o fôlego de todos os atletas da prova. A Brou Aventuras continuava no 1º pelotão, seguindo de perto as equipes masculinas e brigando pela ponta com uma forte equipe da região de Cordoba, que já havia ganhado a prova algumas vezes. Mais uma bike descendo as montanhas e na transição para o trekking estava a primeira parte estratégica da prova: as equipes poderiam optar por fazer a canoagem ainda no 1º dia ou seguir para a bike mais longa da prova! Os brasileiros optaram por remar e os argentinos seguiram de bike, e esta escolha foi decisiva para a vitória verde-amarela!
Um trekking rápido subindo o rio de águas velozes e mexidas e entramos em 2º Geral para descer o rio. De cara uma pequena corredeira pra jogar as águas quase insuportavelmente geladas no corpo e dar aquela sacuidada geral! Passamos algumas equipes com caiaques virados e fomos avançando velozmente rio abaixo, e no final, fizemos quase 25km de canoagem em menos de 2h!
De volta às bikes, o pedal durou a noite toda com trechos de navegação bastante técnica, muitas opções de caminho e PC´s escondidos. Ao amanhecer começamos o trekking decisivo da prova, que tinha PC´s em 2 Cumes bem destacados e nenhuma trilha! Chegamos no 1º cume no melhor tempo da prova mas uma distraida na descida pro vale do outro PC nos custou umas boas horas, momentos de tensão e concentração máxima para chegar ao Cerro Coqui! Quando finalmente avistamos o alvo, estava tão distante que foi impossível não deixar o desânimo aparecer, mas ai buscamos uma força no fundo da alma e chegamos com a última luz do dia ao cume! Foi sensacional olhar ao redor todas as montanhas com picos gelados e ver nosso trajeto incrível, com acertos e erros, por vales e montanhas absolutamente selvagens!
Mais trekking descendo um vale de rio até a transição das bikes, e no meio do caminho uma paradinha médica, já que a Marianinha vinha com problemas respiratórios ao longo do dia e encontramos com um atleta médico que aplicou-lhe uma injeção de dexametasona, aliviando o problema. Neste ponto refletimos que precisamos nos preparar para enfrentar as adversidades das montanhas com um pouco mais que o kit obrigatório básico!
Partimos pra bike final na tensão de não saber o resultado da prova, já que nossos adversários estavam em um ponto desconhecido da prova. Chegamos a Los Molles e a felicidade nos dominou ao saber que eles tinham caído na Dark Zone não neutral, e ficaram a noite toda parados esperando para fazer a canoagem na manhã seguinte. Às 4h30 partimos para o trekking final de 15km, que fizemos mais um cume e mais caminhos sem trilhas pelas montanhas. Às 7h30, com 45h de prova, regressamos a Los Molles triunfantes, felizes e com muito frio, para receber a noticia que tínhamos sido a 1ª Equipe Brasileira a vencer a XK Traverse, e mais ainda, esta foi uma edição reconhecidamente dificil e técnica, aumentando ainda mais nosso orgulho de ter levado as cores do Brasil ao ponto mais alto do pódio!
A XK é uma prova organizada na vontade e coração dos seus idealizadores, Alito e Pablo. Eles são amantes do esporte e tentam oferecer aos atletas as melhores condições para que uma prova de aventura seja curtida e sofrida! No próximo ano, a prova será na mesma região de Las Lenas, o que garante um ambiente selvagem, montanhas incrivelmente lindas e rios sensacionais para canoagem! Já deixo aberto o convite a todas as equipes brasileiras que queiram fazer parte da nossa caravana pra Argentina em novembro de 2014 para curtir as montanhas nevadas em uma Corrida de Aventura!